Minha primeira carona

Antes deste livro, lá pelos 18 anos eu li o On the Road indicado pelo Caio e desde então esse se tornou um dos meus livros favoritos. Eu não sei bem porque, confesso. Mas é. E toda vez que abro aquelas páginas eletrizantes parece que me dá um comichão e tenho uma vontade louca de cair na estrada. Foi nesse livro que eu descobri que existem pessoas que viagem de carona.

Logo depois que comecei a pensar nessa viagem para a Europa a Fabi me deu o livro Portas Abertas, da Aline. Ela viajou durante 3 meses pela Europa sem NENHUM dinheiro. Isso mesmo, nenhum. Ela se hospedava usando o Couchsurfing, viajava de carona e comia o que lhe ofereciam. Fabi escreveu na dedicatória que ela leu o livro pensando em mim, porque segundo ela, só eu pra fazer / gostar dessas maluquices.

No livro a Aline defende que quando você está de “portas abertas” para a vida e para as pessoas também abrem as portas para você. Isso vai contra todo o nosso aprendizado de que o mundo (e todo mundo) é perigoso e só quer tirar vantagem… . Pode parecer meio ingênuo, é verdade. Mas eu realmente acredito nisso. E tentado a gente vê que nem todo mundo é tão mau assim. Muito pelo contrário.

Hoje peguei a minha primeira carona.

Ok, não fiquei na estrada, na chuva com o dedo levantado até aparecer alguém. Baby steps. Usei o BlaBlaCar que é um site de compartilhamento de viagens, onde quem viaja diz o trajeto que vai fazer, hora que vai sair e quanto cobra por pessoa pelo trajeto. No site motoristas e viajantes tem perfis avaliáveis onde podem se comunicar (inclusive se gostam de conversar, de ouvir música, se fumam, etc). Achei que como eu vinha para um evento sobre economia do compatilhamento, nada mais justo, certo?

Mas nada disso me impediu de ficar com um friozinho da barriga saudável. Fui para Rotterdã, cidade da onde saia meu condutor com medinho. De não achar o cara, de ele ser esquisito, de inventar qualquer merda no caminho… mas fui, confiando na vida. (confesso: joguei umas cartas antes só pra ter certeza se meu medinho deveria ser considerado e desistir da aventura, ou se era só coisa de marinheiro de primeira viagem. Tudo ok.).

Assim que encontrei Fofana já relaxei. O cara tinha uma energia boa e além de mim haviam mais dois caroneiros: uma moça que só falava holandês e francês e um músico francês gente boa que falava inglês.

No trajeto descobri que Fofana é nigeriano e taxista em Rotterdã. A cada dois ou três meses ele viaja até a França para visitar a familia. Quando perguntei a Fofana se ele era francês ele falou baixinho: “no, I am from Africa”. Sorri e falei que tinha amigos africanos quando estudei nos EUA, ele pareceu um pouco aliviado. Eles me deixaram no metrô e o músico me explicou como eu deveria fazer para chegar ao meu destino. Merci.

carona 01

Comprei o bilhete e não passou na roleta. Tentei falar com a atendente em inglês e ela muito solicita abriu a catraca para mim, me deixando com o bilhete na mão para um próximo trajeto. Merci.

Chegando na casa do Victor, meu anfitrião, não sabia como subir. Tentei acessar algum wii fi sem conseguir e a garçonete do restaurante ao lado ofereceu ajuda em francês. Perguntei se ele falava inglês e.. não. Era o que eu temia. Pedi: wii fi? Ela prontamente me trouxe um papel com a senha. Merci.

O Victor teve um jantar e eu saí pela rua dele procurando um lugar para comer. Vi uma lanchonete cheia com preços bem acessíveis. Entrei e pedi lentamente em francês lendo o cardápio. Algumas pessoas saíram e uma família brasileira ficou. Conversamos um pouco sobre o frio e sobre como é fácil encontrar brasileiros. Logo eles foram embora e fiquei sozinha na creperia com o atendente. Puxei papo. Ele se chama Ammar, é indiano e mora ha 20 anos em Paris. Em novembro vai para a Índia visitar mamá e papá. Me fez companhia enquanto comia, conversando em inglês comigo. No final se despediu com um “Boa noite!”. Merci.

Vida, continua sendo boa comigo tá? Emoticon heart
(prometo que continuo sendo boa contigo!)
Merci.

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