Intercâmbio e Wanderlust

Em 2010, cismei que precisava ir estudar inglês nos Estados Unidos. Eu estava no meio da faculdade e meu aprendizado de inglês era todo fragmentado. Por mais que eu soubesse bastante, a minha sensação era de que eu não sabia nada. Me faltava confiança e um pouco de cara de pau. Faltava vivenciar a língua, faltava principalmente eu me arriscar.

Eu sentia que essa experiência seria muito importante para mim. Ter um tio-padrinho morando lá facilitou muito as coisas, claro. Mas além disso, consegui convencer todo mundo que foi preciso de que aquela experiência seria importante: para crescer, para o meu currículo, para a relação com a minha mãe aqui, para a minha relação com meus tios e prima lá.

E foi. Tudo isso e um pouco mais.

Primeiro de tudo eu realizei um sonho! E se você já realizou um sonho, você sabe o quanto isso é excitante e emocionante!

Segundo, depois de 6 semanas estudando inglês com coreanos, japoneses, chineses, uma tailandesa, uma alemã, um colombiano, uma peruana, um angolano, alguns árabes e alguns brasileiros, eu finalmente entendi na pratica como verdades podem ser subjetivas!

Um dia cheguei cedo na aula e aproveitei para sentar em um café que tinha ao lado da escola. Bill, um árabe gordinho e simpático, chegou perguntando se podia sentar comigo.
Papo vai, papo vem, disse a ele que tinha três irmãos por parte de pai. Na mesma hora ele respondeu: “Eu também! Vocês moram todos juntos? Minha mãe, eu, as outras esposas do meu pai e meu irmão moramos todos em uma mesma casa…” E eu o interrompi: “não, não! No Brasil se casa com um por vez. Meu pai casou, teve minha irmã mais velha, se separou, casou, teve meus dois outros irmão, se separou e casou com a minha mãe, quando eu nasci.” Ele parecia um pouco decepcionado e comentou algo como “que confuso…”. E eu pensando que uma casa com varias esposas é que seria confuso…

Casos como esse se repetiram durante todos os dias. Um cara chinês perguntou ao professor quem era Jesus. (!) Minha amiga japonesa, confessou que, ao contrario da maioria dos japoneses, ela adorava abraços. Os coreanos ficaram extremamente constrangidos ao descobrirem o que é “motel” na América latina, incluindo uma mãe de três filhos. Um amigo coreano me contou que na cultura dele um homem só pode chorar duas vezes na vida: se o país for invadido ou quando seus pais morrerem. E ele chorou na minha despedida (me fazendo chorar também, claro), me contou essa história e pediu para eu torcer para que a Coréia do Sul não fosse invadida enquanto ele estiver vivo. Achei justo.

Essas semanas que passei lá aprendi sobre gente. Sobre como algumas aflições são inerentes do ser humano. Sobre como os pontos de vista são apenas pontos, perspectivas e de maneira nenhuma definem verdades e mentiras.

Esse tempo e essas pessoas me despertaram uma vontade gigante de ir. Ir por ai para ver o mundo com os meus próprios olhos, conhecendo verdades – que nem sempre serão as minhas, mas que certamente me fazem repensar escolhas. Repensar o mundo.

Será que as coisas precisam mesmo ser como são?

Esse blog fala sobre viagens.
Mas, mais do que isso, fala sobre pessoas e lugares inspiradores. Que de alguma forma me ensinaram, me deixaram com uma pulga atrás da orelha, me fizeram refletir.

Sobre mim. Sobre o mundo.

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