Como não ser um turista sem noção

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vista do Rio, de quem chega pelo Aeroporto Santos Drumond
Eu moro no Rio de Janeiro e nos últimos tempos a cidade está sendo transformada, cada vez mais, em uma cidade para turistas e não para seus cidadãos. O transporte privilegia a parte turística da cidade e as zonas mais humildes e com menos pontos turísticos são esquecidas pelos políticos e órgãos públicos. Um ponto que é fácil de notar é que em toda a zona sul e em boa parte do centro e alguns pontos de interesse da zona norte e da zona oeste, do Rio você encontra placas em todas as esquinas e lixeiras laranjas poste-sim-poste-não. Já em áreas menos abastada$ e menos turísticas é penoso descobrir o nome de uma rua e até difícil achar uma lixeira…

 

Mas é claro que não é só o Rio que sofre com isso. Muitos moradores de cidades turísticas sofrem com os preços e os descasos políticos que o turismo pode causar. E além disso é muito comum quem viaja entrar num modo “relax” e esquecer do que há em volta… Desrespeitando os moradores, trabalhadores e o ambiente. Tudo isso somado naturalmente causa uma revolta em quem tem que lidar com esses problemas diariamente. Se a gente, enquanto viajante, puder não piorar essa situação certamente seremos mais bem recebidos nos lugares que chegamos.
 
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Escada da Sacré Coeur em Paris lotada! 

 

E vamos combinar que nós brasileiros somos conhecidos por seremos mal educados por aí. Esses dias conversando com dois trabalhadores da Ilha Grande vi que também é comum estrangeiros chegarem aqui e entrarem nesse lugar da permissividade e perderem a noção. Então, resolvi fazer essa lista para a gente não esquecer de alguns cuidados básicos.

 

1. Cuidado com o barulho.
Somos um povo festivo alegre e… barulhento. Isso não é tão legal assim se o objetivo das pessoas ao seu redor é descansar. Depois de dez horas da noite preste atenção se você não está falando alto, ouvindo música alta e principalmente como está o ambiente ao seu redor. Se você está numa vila de pescadores, sem luz elétrica no interior e só você e seus amigos estão fazendo barulho, simplesmente parem. Agora, se você está no meio de uma festa numa cidade grande e que as nights começam meia noite e tem mais um monte de bares barulhentos ao redor, ok, curta a festa.

 

2. Seja educado.
Bom dia, obrigada, por favor, me desculpa são palavrinhas que não doem nada e que costumam ser muito bem vistas em qualquer lugar do mundo. Se algo não te atenda, negocie: posso ligar o ventilador? Posso pegar essa cadeira? Se você fizer um motivo e explicar seus motivos é bem mais fácil dos outros turistas e funcionários poderem te atender. Além disso, lixo no lixo (e se não tem lixo, na bolsa até encontrar um lugar apropriado para descarte). Ouvi da dona de um bar que os turistas do hotel vizinho jogavam guimbas de cigarro que queimavam o toldo dela, gerando um custo e um problema enorme para o bar. Preste atenção em o que você está jogando fora e como isso deve ser feito. Na dúvida, pergunte.

 

3. Lembre-se de que nem todo mundo ali está de férias.
“Eu estava num bar terça-feira e meia noite eles entregaram a nossa conta e começaram a guardar as coisas, um absurdo!” Pare e pense bem se isso é mesmo um absurdo. Quando você trabalha, provavelmente você tem hora para acabar o seu trabalho, não é mesmo? Você sabe quando tempo aquelas pessoas demoram para voltar para casa? E que horas elas acordam? O quanto estão cansadas?… Pois é. Talvez haja inclusive regras locais especificas para o fechamento de estabelecimentos comerciais.
Nenhum atendente precisa ser mal educado, mas também ninguém é (deve ser) escravo e não ter hora para parar de trabalhar. Isso nos leva a próxima questão…

 

4. Não é porque você está pagando que você pode…
fazer o que bem entender. Os lugares tem regras e você deve sim respeita-las, mas além disso cuidar dos lugares que você vai é essencial. Não danifique o que você está usando e caso aconteça “desculpas” também não doem… E dependendo do que for, veja se faz sentido você se prontificar a reparar / pagar o conserto. Se fosse na casa de um amigo, não era o que você faria? Responsabilize-se. Mais uma vez, as pessoas podem estar ali recebendo para servir – seja como atendente, garçom ou etc – mas ninguém deve ser tratado como escravo. Se você está em um ambiente natural a regra se aplica da mesma forma não danifique a natureza.
 

 

5. Reclame com as pessoas certas.
Empresas são compartimentadas e talvez a pessoa que está te atendendo não possa resolver o seu problema. Eu sei que há momentos de desespero, mas tente não passar o seu desespero adiante. Explique seu problema e pergunte quem pode te ajudar com isso, peça para ser encaminhado ao responsável. Isso economiza o seu estresse – de explicar mil vezes a mesma coisa para pessoas diferentes – e o estresse dos outros. Também perceba se a sua reclamação faz sentido de ser feita: reclamar do transito com o motorista não faz muito sentido já que ele também está sofrendo com isso e provavelmente ele não pode resolve-lo.

 

6. Não banque o colonizador. Respeite a cultura local.
Quando a gente pára de olhar só para o nosso umbigo e/ou quando a gente viaja para lugares que são muito diferentes da nossa origem, descobrimos que não existe uma verdade. Cada lugar tem a sua própria cultura e consumes e eles não são piores nem melhores que os seus. Algumas coisas é possivel perceber só de olhar, outras é bom dar uma pesquisada na internet. E num geral, perguntar não ofende. De resto, não force a barra. Se a cultura do cara diz que ele não deve encostar em mulher, e você é uma, não tente abraça-lo nem ridicularize esse posicionamento. A liberdade está também no respeito às escolhas dos outros.
Ou resumindo: observe, pergunte, respeite, agradeça e sorria. Assim não tem erro. 😉
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